Opinião: Brasil precisará melhorar muito para eliminar o Uruguai na Copa América
- Lucca Marreiros
- 3 de jul. de 2024
- 3 min de leitura
A atuação do Brasil no empate de 1 x 1 diante da Colômbia soou como uma grande decepção para o público que esperava, no mínimo, uma melhora em comparação ao que o time já havia mostrado de bom na goleada sobre o Paraguai. Com dificuldades de manter a bola sob seus domínios, bem como de criar jogadas ofensivas e manter a segurança no sistema defensivo, a seleção comandada por Dorival Júnior não perdeu, por muito pouco, para os colombianos.
A escalação inicial feita pelo treinador revelou apenas uma mudança do time que venceu o Paraguai: Savinho, que até anotou gol naquele jogo, voltaria para o banco e daria o lugar à Raphinha no time titular. E foi justamente dele o gol que abriu o marcador aos onze minutos. A bela cobrança de falta surpreendeu o goleiro Vargas e colocou fim a um jejum de 46 jogos da Seleção sem marcar desta forma. Ainda sim, a atuação já começava a sofrer com o ímpeto da Colômbia que, desde o início, já aproveitava as brechas do sistema defensivo do Brasil.
Sem poder de articular as jogadas e com o time nervoso após Vinícius Júnior, então pendurado, levar um cartão amarelo que o tira do clássico contra o Uruguai, faltava concentração ao time brasileiro. Atletas como Jhon Arias, Luís Díaz e James Rodríguez já causavam problemas ao sistema defensivo A pressão colombiana aumentava, bem como a tensão. Este último cenário, que até poderia ajudar o Brasil a deixar a partida mais picada, no fim, atrapalhou. Nervoso, o time perdeu de vez a cabeça após o árbitro não marcar pênalti claro em Vini no fim do 1º tempo. Pouco tempo depois, após sucessivas falhas na saída de jogo, Muñoz empatou.
No 2º tempo, a vantagem que a Colômbia já havia demonstrado nos primeiros 45 minutos, aumentou consideravelmente. A entrada de Andreas Pereira no lugar do apagado Lucas Paquetá piorou o Brasil, que sequer chegava ao ataque. Vulnerável especialmente nas laterais, os colombianos apenas não viraram a partida porque faltou capricho nas finalizações de Córdoba e de Rafael Borré que, na pequena área e com apenas Alisson à sua frente, perdeu um gol incrível. Nem um chute perigoso e até surpreendente de Andreas nos acréscimos serviu para aliviar a tensão vista por uma etapa de jogo preocupante.
Para a partida contra o Uruguai, Dorival Júnior sabe que não poderá contar com o seu melhor jogador: Vinícius Júnior, suspenso. Com isso, Savinho e Endrick brigam pela posição no ataque. Este último atuou apenas 13 minutos no torneio e deveria ser mais testado. A falta de um centroavante nesta partida pode fazer falta. Já o atacante do Manchester City poderia entrar na segunda etapa e ser uma opção de velocidade já que, em tese, Rodrygo deve estar mais desgastado até lá. Porém, outras mudanças não estão desgastadas. Na própria lateral-esquerda, por exemplo: Guilherme Arana não pode retornar?
Fato é que, neste instante, o Brasil não é favorito para avançar diante da bem organizada seleção uruguaia de Marcelo Bielsa. Apostando na juventude, os uruguaios venceram todos os jogos e passaram com folga em seu grupo. Na última rodada, inclusive, eliminaram os Estados Unidos, anfitriões da competição. A seleção brasileira leva à Las Vegas, palco do jogo, uma bagagem, no mínimo, diversificada. Dominou o frágil Paraguai, foi pragmático diante da limitada Costa Rica e sofreu muito diante da bem organizada Colômbia. Uma melhora significativa, com ajustes e projeção de uma vida "sem Vini Jr." precisa ser eficaz diante de um time que não perdoará falhas e eventuais deslizes brasileiros.




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